A partir de estudos e pesquisas envolvendo Indústria 4.0 no Brasil que nossa consultoria tem realizado e participado, desde 2014 até recentemente em 2017-2018, pudemos formar um amplo entendimento dos planos em curso em diversos segmentos e o desdobramento para cada uma das partes interessadas, como governo, empresas de automação, serviços de engenharia e entidades financeiras.

Pode-se afirmar que as mudanças na organização de manufatura serão profundas e grandes oportunidades de negócios estão associadas.

Em comum na maioria dos segmentos, podemos dizer que a indústria brasileira, de uma maneira geral é bastante heterogênea em termos de escala de produção, nível de produtividade, automação de processos, uso de mão de obra, integração de informações para tomada de decisão. A exceção a esta regra é o segmento de óleo e gás, tanto upstream quanto downstream, onde o nível de investimento e tecnologia tem se mantido alto ao longo dos anos e deve novamente puxar as oportunidades de desenvolvimento, na casa das dezenas de bilhões de dólares no intervalo dos próximos 5 anos. O segmento de medicamentos, onde grandes empresas nacionais de tecnologia global ou multinacionais dominam a produção e comercialização também apresenta altos níveis de produtividade e aderência aos conceitos da Indústria 4.0, também puxada pelas regulamentações da ANVISA, FDA ou equivalentes

A indústria Automobilística tem nas montadoras, principalmente as recém instaladas e em alguns grandes sistemistas, pockets of excellence do uso de tecnologias de ponta para ganho de produtividade, qualidade, aliando a integração de dados / informação com técnicas de produção enxuta para tomada de decisão eficiente e eficaz, mas apresentam uma cadeia de fornecimento muito pulverizada e carente de investimentos em automação, integração de informações e técnicas de produção inteligentes. Após um ciclo de investimento decorrente das exigências do programa Inovar-Auto para localização de produção de produtos finais e atualização de tecnologias de produtos, anuncia-se um novo ciclo de investimento em tecnologia de produção / indústria 4.0 e desenvolvimento de produção local de componentes – com tendência de integração vertical devido a características desta cadeia de suprimento carente.

Segmentos como de Alimentos & Bebidas e Bens de Consumo apresentam grande heterogeneidade e oportunidades de desenvolvimento, onde o investimento dos grandes players é ritmado e constante em contraste com PMEs onde os conceitos da nova revolução industrial ainda não chegaram.

As entidades governamentais como MDIC e ABDI preparam-se e agem para fomentar o desenvolvimento, com uma política de não intervencionismo ou incentivos. Bancos privados e o BNDES apresentam-se menos preparados para financiamento do salto de produtividade da nova revolução industrial, em suporte às necessidades do empresariado.

Cada segmento terá particularidades e oportunidades específicas, seja pelo maior crescimento de mercado, seja por regulamentações ou pela própria competição acirrada onde os mais preparados sobrevivem. As empresas envolvidas nesta cadeia de valor, seja de fornecimento de sistemas, produtos ou serviço tem a oportunidade de desenvolver estratégias para crescimento exponencial neste próximo ciclo. O mapeamento destas oportunidades e particularidades é chave para determinar o sucesso das estratégias neste ciclo de investimento que se anuncia.

 

Quer saber mais? Pergunte-nos!

 

About the author: Fabio Ferraresi is based in Brazil working for Brazilian and Global Companies, senior consultant in South America Markets and Power Products, partner owner of Engenho Consulting Group, Business Development Director or Power Systems Research with passion on technology and forecasting.